Por Que Veganos Não Comem Mel?

“Ai gente, que exagero, nem um melzinho? As abelhas não sofrem com isso, elas já iam produzir o mel de qualquer jeito.”

Te identificou com essa frase? Até um pouco mais de um ano atrás, eu também me identificaria, até que comecei a estudar e entender de fato o que significava o veganismo, e iniciar a transição.

Há muito tempo se estabeleceu na nossa cultura e sociedade uma crença de que a natureza e, consequentemente, os animais, estariam a nosso serviço. Assim, seguindo essa lógica, passamos a acreditar que teríamos direito de explorar seus recursos como se não houvesse amanhã, o que se estende, também, à produção e ao consumo de mel.

A produção de mel é um processo complexo. As abelhas campeiras saem da colmeia para recolher o néctar das flores. Nesse processo, acabam transferindo pólen de uma flor à outra, fazendo assim a polinização dessas espécies, e armazenando esse néctar em um segundo estômago, onde enzimas quebram a sacarose em glicose e frutose.

Nesse momento, essas abelhas retornam à colmeia e vomitam esse néctar parcialmente digerido na boca das abelhas engenheiras, que finalizam o processo de digestão, regurgitando o produto nos alvéolos (favos).

Ao longo dos próximos dias, as próprias abelhas trabalham intensamente batendo suas asas para desidratar esse mel, até ficar com apenas 18% da quantidade de água inicial. Então, selam o mel com uma camada de cera, para proteger seu alimento de invasores, já que esse mel será a reserva energética e térmica que deverá proteger e garantir a sobrevivência da colmeia no inverno, pois nesse período há escassez de flores das quais podem obter néctar.

1. As abelhas produzem mel para sua própria alimentação

Ao retirar o mel das colmeias, o mínimo que fazemos é privá-las do próprio alimento e, com isso, obrigá-las a produzirem quantidades maiores de mel, o que leva à exaustão e reduz sua expectativa de vida.

2. Fumigação

A prática mais comumente empregada na apicultura é a fumigação, na qual o apicultor usa fumaça para atordoar as abelhas, evitando que se defendam com picadas, para manusear a colmeia e extrair o mel com maior facilidade. Muitas abelhas morrem intoxicadas, asfixiadas, ou queimadas pela alta temperatura da fumaça, comumente proveniente da queima de palha ou sabugo de milho. Nesse processo de extração, muitos apicultores acabam, no manuseio, também esmagando abelhas com as mãos, e, apesar do mal estar, algumas abelhas, na tentativa de proteger a colmeia, conseguem picar, perdendo o ferrão e morrendo.

3. Abuso das abelhas-rainhas

Em muitos casos, as abelhas rainhas têm as asas grampeadas ou cortadas para não poderem fugir e levar as outras abelhas embora. Além disso, são artificialmente inseminadas pela injeção de sêmen de zangões decapitados (obtidos removendo a cabeça do zangão e espremendo seu abdômen). Quando sua capacidade reprodutiva diminui, elas também são mortas; e, com esse procedimento, sua vida que deveria durar até cinco anos, costuma durar apenas um.

4. Sustentabilidade de ecossistemas

50-80% dos vegetais que consumimos são polinizados por abelhas. Práticas como essas ameaçam sua sobrevivência, e sua extinção comprometeria a sobrevivência de incontáveis espécies e ecossistemas no planeta.

5. Morte de outros animais

Além das abelhas, outros animais morrem em decorrência da apicultura. Para evitar que animais silvestres (como o tatu) se alimentem do mel das abelhas, armadilhas são instaladas para sua captura e morte.

6. Morte em períodos pouco produtivos

Outra prática que causa a morte de muitas abelhas é que, nos meses em que não há produção de mel, para evitar gastos de manutenção das colmeias, muitos apicultores queimam as colmeias ou deixam as abelhas morrerem de fome (sendo que, normalmente, sua alimentação já é artificial e nutricionalmente pobre).

7. Dieta artificial

Devido à dieta artificial, as abelhas não consomem o próprio mel, ficando, então, mais suscetíveis a doenças e ataques de outros insetos. Muitas vezes apicultores movem colônias doentes para junto de colônias saudáveis, levando consequentemente à propagação de doenças. Fora isso, ao identificarem uma colmeia doente, destroem as colmeias queimando as abelhas vivas.

8. Não precisamos de mel em nossa dieta

Nós, seres humanos, não precisamos de mel em nossa dieta. Além disso, seu consumo é contraindicado para crianças com menos de 1 ano de idade, devido à presença de esporos do bacilo Clostridium botulinum, causador do botulismo.

Também existem alternativas (como agave, melado de cana, xarope de bordo) que podem substitui-lo sem gerar os mesmos impactos.

As abelhas, assim como todos os seres e toda natureza, não existem para nos servir; vivem pelos seus próprios propósitos. Assim como qualquer outro animal, não querem morrer. Por isso, vamos repensar mais uma vez o sentido das nossas ações, pra que nós mesmos, e todos os outros seres, possamos viver em maior harmonia.

REFERÊNCIAS:

https://www.greenme.com.br/alimentarse/vegetariano-e-vegano/5927-veganos-nao-comem-mel-nr/
https://vegazeta.com.br/por-que-veganos-nao-consomem-mel/
https://www.greenme.com.br/alimentarse/vegetariano-e-vegano/5927-veganos-nao-comem-mel-nr/
http://vegnutri.com.br/mel-de-abelhas-por-que-veganos-nao-consomem/
https://www.manualvegano.com.br/veganos-nao-comem-mel/
https://www.vista-se.com.br/mel-relato-de-um-ex-apicultor-brasileiro-sobre-a-crueldade-envolvida-na-producao/
https://sociedadevegan.com/o-mel-e-vegano/http://veganize.com.br/a-realidade-nao-tao-doce-do-mel-de-abelha/


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